28/11/08

Avaliação de professores - a saga continua

Retomo hoje a escrita neste blog. Apesar de ter passado algum tempo, volto ao ponto em que fiquei. Os desenvolvimentos relativos ao problema da avaliação dos professores. Ao fim de bastante tempo de teimosia o ministério da educação, sem ceder, procura fazer algumas concessões “simplificando” alguns pontos de uma forma atabalhoada. A srª ministra e seus “acólitos”não consegue perceber que a manta de retalhos em que se transformou e seu “excepcional e único modelo de avaliação”o desvirtuou e descredibilizou completamente. É difícil perceber se estamos ainda perante uma atitude de teimosa arrogância ou do estertor de um projecto desde o início votado ao fracasso.


Teimosia!!!

09/11/08

O pior cego é o que não quer ver

A manifestação - 120.000 professores manifestaram-se no dia 8 em Lisboa












Rescaldo da manifestação



Não ver nem ouvir


Arrogância

Medo



Disfarçado por um sorriso amarelo

Nota: aguardam-se os próximos desenvolvimentos

07/11/08

O LABIRINTO DA EDUCAÇÃO


Amanhã vai realizar-se em Lisboa mais uma manifestação de professores. O público de hoje diz que os sindicatos já fretaram 700 autocarros para se dirigirem a Lisboa. Sindicatos e movimentos independentes parece terem acordado numa manifestação comum. Para que serve uma manifestação?
Eu ,que também já fui professora e ,se estivesse no activo, não deixaria de participar. Seria uma forma de mostrar à opinião pública a situação em que se encontram os professores e o ensino.

Tenho seguido com interesse e apreensão o que se está a passar no ensino. Considero os principais problemas os que vou seguidamente apresentar:

· O desrespeito com que os professores têm sido pela tutela;
· As dificuldades crescentes de que se tem rodeado a prática educativa nas escolas;
· O novo processo de avaliação que não foi aferida e que prejudica o trabalho com os alunos;
· A insegurança que existe nas escolas, chegando a por em perigo a integridade moral e até física dos docentes;
· A política educativa definida pelo ministério e traduzida em exames e rankings que pretendem forjar um sucesso imediato impossível em educação.
Tenho pouca esperança de que a manifestação modifique uma linha que seja da “política educativa” e da “conduta do Ministério da Educação”. Mesmo assim acho que vai valer a pena com grito de revolta de um grupo profissional que tem vindo a ser desprestigiado junto da opinião pública, pasme-se, pela própria tutela.

As reformas do ensino fazem-se com os professores e não contra eles.

05/11/08

ELEIÇÕES AMERICANAS


As expectativas colocadas na eleição de Barack Obama para presidente dos E.U.A. não foram defraudadas. Pela madrugada Obama foi declarado vencedor mesmo antes de ter acabado a contagem dos votos. É o primeiro presidente afro-americano dos E.U.A. sem dúvida um factor importante. Parece-me, no entanto que Rui Tavares no Público de hoje tem razão no seu artigo. Tudo tem a ver com a dinâmica que a candidatura de Obama criou no povo americano. Os índices de participação na votação rondaram OS 80% o que, nos dias de hoje seria difícil quase impossível até de imaginar. O candidato Obama provou pela capacidade de motivação, veremos seguidamente como se revelará Obama presidente. È sempre uma esperança.

14/10/08

A reforma dos professores





Doze docentes por dia Correio da Manhã

Mais 710 docentes entram na reforma em Novembro
Só em Novembro, serão 710 os professores que se vão aposentar. Muitos docentes pedem a antecipação da reforma mesmo sendo penalizados. ... Jornal de Notícias

Professores reformam-se à média de 400 por mês Jornal de Notícias

Alentejo: Aumenta o número de professores interessados na reforma Voz Da Planicie

"desvalorização completa da função de professor". ...

Notícias da imprensa nos dias 13 e 14 de Outubro

12/10/08

A CRISE

Oiço as notícias. Vejo os telejornais. A crise está declarada. Vive-se num ambiente de apreensão. Começou nos E.U.A. mas rapidamente alastrou ao mundo. Não é propriamente uma novidade esta é mais uma crise que se integra nas crises cíclicas e inevitáveis do capitalismo. Não põe em perigo o capitalismo mas abala as sociedade e, respectivos governos. Dirão os optimistas que as crises têm sido menos frequentes mas nem por isso mais previsíveis. Será uma forma de reflectirmos mais profundamente sobre a economia e de procurarmos mais possíveis soluções para o problema.

Em 1929
















Hoje


05/10/08

DIA INTERNACIONAL DO PROFESSOR

TODOS OS DIAS !!!

VIVA A REPÚBLICA

Enquanto for sinónimo de democracia.

14/09/08

1ª etapa - do Alentejo até ao Minho

Com paragem em Arcos de Valdevez

11/09/08

Vamos para férias!!!


Finalmente as férias. Mesmo para quem está reformado as férias são sempre um tempo de grandes expectativas. E as férias não são só o tempo em que efectivamente decorrem. São o tempo antes em que se estuda, planeia, organiza os percursos e as visitas. Esse é o primeiro tempo de curiosidade e de descoberta. Depois são as férias propriamente ditas. O contacto com as gentes e as coisas de outros locais, ou países e finalmente o pós -regresso em que se avalia e se reflecte sobre o que se viu. São as conversas com os amigos, a organização das fotografias. o visionamento dos vídeos.


Rumo à Dinamarca


29/06/08

As melhores da semana no" país do faz de conta"




“talvez fosse útil excluir de correctores aqueles professores que têm repetidamente classificações muito distantes da média.”


Palavras da directora regional de Educação do Norte Margarida Moreira de acordo com um relato de um professor escrito em acta
(27-06-2008
)

Desespero controlado



Sossega coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo
Pobre esperança a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente.
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!


Sossega, coração, contudo ! Dorme!
O sossego não quer razão sem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solene pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.



Fernando Pessoa
2-8-1933

13/06/08

No dia de aniversário



Tenho dó das estrelas
Luzindo há tanto tempo,
Há tanto tempo…
Tenho dó delas.


Não haverá cansaço
Das coisas,
De todas as coisas,
Como das pernas ou de um braço?


Um cansaço de existir,
De ser,
Só de ser,
O ser triste brilhar ou sorrir…


Não haverá, enfim
Para as coisas que são,
Não a morte, mas sim
Uma outra espécie de fim,
Ou uma grande razão_
Qualquer coisa assim
Como um perdão?

Fernando Pessoa

10/12/1928

09/06/08

Liberdade


Liberdade


Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura


O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa…


Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.


Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!


Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar seca.


O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca…


Fernando Pessoa
16/3/1935

08/06/08

O mar



Vejo passar os barcos pelo mar,
As velas, como asas do que vejo
Trazem-me um vago e íntimo desejo
De ser quem fui, sem eu saber que foi.
Por isso tudo o meu ser lar,
e, porque o lembra, quanto sou me dói.


Fernando Pessoa
1932

06/06/08

Noite



Um muro de nuvens densas
Põe na base do ocidente
Negras roxuras pretensas


Com a noite tudo acaba.
O céu frio é transparente.
Nada de chuva desaba.


E não sei se tenho pena
Ou alegria da ausente
Chuva e da noite serena.


De resto, nunca sei nada.
Minha alma é a sombra presente
De uma presença passada.


Meus sentimentos são rastros.
Só meu pensamento sente…
A noite esfria-se de astros.


Fernando Pessoa
18/6/1929

04/06/08

Paisagens



Paisagens, quero-as comigo.
Paisagens, quadros que são…
Ondular louro do trigo,
Faróis de sóis que sigo,
Céu mau, juncos, solidão…



Paisagens, todas pintadas
Umas pela mão de Deus,
Outras pelas mãos das fadas,
Outras por acasos meus,
Outraspor lembranças dadas…



Paisagens…Recordações,
Porque at+r o que se vê
Com primeiras impressões
Algures foi o que é,
No ciclo das sensações.



Paisagens…Enfim, o teor
Da que está aqui é a rua
Onde ao sol bom do torpor
Que na alma se me insinua
Não vejo nada melhor



Fernando Pessoa
8/3/1931

03/06/08

Outono



No entardecer da terra
O sopro do longo Outono
Amareleceu o chão.
Um vago vento erra,
Como um sonho mau num sono,
Na lívida solidão.


Soergue as folhas, e pousa
As folhas, e volve, e revolve,
E esvai-se inda outra vez.
Mas a folha não repousa,
E o vento lívido volve
E expira na lividez,


Eu já não sou quem era;
O que eu sonhei, morri-o;
E até do que hoje sou
Amanhã direi, quem dera
Voltei a sê-lo!…Mais frio
O vento vago voltou.



Fernando Pessoa
12-1924

02/06/08

Vida



Aqui na orla da praia, mudo e contente do mar,
Sem nada já que me atraia, nem nada que desejar
Farei um sonho, terei um dia, fecharei a vida,
E n, pois dormirei de seguida.



A vida é como uma sombra que passa por sobre um rio
Ou como um passo na alfombra de um quarto que jaz vazio;
O amor é sono que chega para o pouco ser que se é;
A glória concede e nega; não tem verdade nem fé.



Por isso na orla morena da praia calada e só,
Tenho a alma feita pequena livre de mágoa de dó;
Sonho sem quase já ser. Perco sem nunca ter tido,
E comecei a morrer muito antes de ter vivido.



Dêem-me; onde aqui jazo. Só uma brisa que passe,
Não quero nada do acaso, senão a brisa na face;
Dêem-me um vago amor de quanto nunca terei,
Não quero gozo nem dor, não quero vida nem lei.



Só, no silêncio cercado pelo som brusco do mar,
Quero dormir sossegado, sem nada que desejar,
Quero dormir na distância de um ser que nunca foi seu,
Tocado do ar sem fragrância da brisa de qualquer céu

Fernando Pessoa
10-8-1929