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25/03/07

Poema da semana



AS CASAS

As casas vieram de noite
De manhã são casas
À noite estendem os braços para o alto
fumegam vão partir

Fecham os olhos
percorrem grandes distâncias
como nuvens ou navios

As casas flúem de noite
sob a maré dos rios

São altamente mais dóceis
que as crianças
Dentro do estuque se fecham
pensativas

Tentam falar bem claro
no silêncio
com sua voz de telhas inclinadas


JORGE, Luíza Neto – Os Sítios Sitiados. Plátano Editora, 197

12/03/07

Poema da semana



JARDIM VERDE

Jardim verde e em flor, jardim de buxo
Onde o poente interminável arde
Enquanto bailam lentas as horas da tarde.
Os, narcisos ondulam e o repuxo,
Voz onde o silêncio se embala,
Canta, murmura e fala
Dos paraísos desejados,
Cuja lembrança enche bailados
A clara solidão das tuas ruas.
Sophia de Mello Breyner Andresen

04/03/07

Poema da semana

Os deuses são felizes.
Vivem a vida calma das raízes.
Seus desejos o Fado não oprime.


Ou, oprimindo, redime.
Com a vida imortal.
Não há
Sombras ou outros que os contristem,
E, além disto, não existem…

Fernando Pessoa

18/02/07

Poema da semana


UM CARNAVAL

Vem ao baile vem ao baile
Pelo braço ou pelo nariz
Vem ao baile vem ao baile
E vais ver como te ris

Deixa a tristeza roer
As unhas de desespero
Deixa a verdade e o erro
Deixa tudo vem beber

Vem ao baile das palavras
Que se beijam desenlaçam
Palavras que ficam passam
Como a chuva nas vidraças

Vem ao baile oh tens de vir
E perder-te nos espelhos
Há outros muito mais velhos
Que ainda sabem sorrir

Vem ao baile da loucura
Vem desfazer-te do corpo
E quando caíres de borco
A tua alma é mais pura

Vem ao baile vem ao baile
Pelo chão e pelo ar
Vem ao baile baile baile
E vais ver o que é bailar

Alexandre O’Neill