08/03/08

Professores em protesto



Sábado 8 de Março de 2008, dia da grande manifestaçõ dos professores. A marcha da indignação avançou sobre Lisboa mobilizando cerca de 100.000 manifestantes. Os professores uniram-se por uma vez para contestar a política educativa, mas também a forma como ela tem sido imposta. A arrogância, a prepotência, o desprezo e desrespeito são os condimentos utilizados pela actual equipa ministerial. A indignação dos professores e a sua crescente mobilização despertaram na sra Ministra uma intensa vontade de aparecer no pequeno ecrán. Foi nos Prós e contras , na entrevista com a jornalista Judite de Sousa e hoje uma intervenção no noticiário da Sic. Todas as prestações se pautaram pela indiferença da governante em relação às reivindicações dos profssores. Perante a manifestação a sra Ministra apresentou mais uma vez a sua "cassete" decorada: os professores contestam a valiação porque não a conhecem ( agora somos ignorantes ou ,até mesmo estúpidos); a avaliação é definida pelas escolas ao abrigo da autonomia. Frase feita e oca de significado, repetida ao longo do discurso.
à pergunta da jornalista se não seria de fazer avançar a avaliação só nalgumas escolas-piloto? Maria de Lurde Rodrigues voltou à "cassete" dizendo que tal não tem sentido pois há condições para avaliar. Quanto à posibilidade de negociação com os professores a sra. Ministra incorre num paradoxo pois diz estar disponível mas para defender o seu modelo. Isto é dispõe-se a um "monólogo" ou melhor "uma conversa de surdos".
Já fui professora, participei em contestações mas nunca me encontrei perante um governo tão intransigente e autista.
Aguardemos os próximos capítulos.

Dia Internacional da Mulher

Até quando será necessário comemorá-lo?

26/02/08

Não ver, não ouvir...




Será que ainda se aguenta no pedestal?

01/02/08

CARNAVAL





Chegou o Carnaval, época de distensão para alguns, de excessos para outros e de indiferença para muitos. Hoje o Carnaval perdeu um pouco o sentido se bem que se note uma tendência cada vez mais acentuada para o comemorar. Os festejos “brasileiros”instalaram-se por todo o Portugal. Qualquer terra ou “terrinha” tem o seu corso onde desfilam beldades seminuas com plumas, sem se importarem com as inclemências do clima. Quando há carros alegóricos os políticos não escapam às críticas mais ou menos contundentes. A música é ensurdecedora e o povo diverte-se vendo os desfiles.
A maior parte das pessoas não passam de meros espectadores. Exteriorizam os seus medos e as suas emoções por via de terceiros, por meio daqueles que activamente desfilam com os mais variados disfarces.
Vivemos numa sociedade em que a “teoria da transferência” é constantemente posta em prática. Vivemos a nossa vida transferindo para os que estão na ribalta os nossos anseios e as nossas frustrações. Será que esta transferência funciona como terapia?

31/01/08

Galeria dos insólitos


Talho em Elvas

Museu de Arte Contemporânea de Elvas (MACE)







Na semana passada fomos a Elvas visitar o Museu de Arte Contemporânea *(o MACE).
O Museu alberga a colecção de António Cachola distribuída por dois pisos devidamente preparados para o efeito. As obras de arte distribuem-se entre pinturas e instalações de artistas contemporâneos. È um museu ainda com poucas obras mas muito interessante. No último piso fica uma cafeteria que dá para um terraço de onde se avista toda a cidade de Elvas. Esta vista é, sem dúvida, uma obra de arte que pode ombrear com as que se encontram no interior do museu.


* O museu foi inaugurado em Julho de 2007 e encontra-se instalado no edifício do antigo Hospital da misericórdia

27/01/08

Galeria dos insólitos

(Público 26/01/08)

“Docentes são os profissionais em quem os portugueses mais confiam, políticos ficam no fim da lista”

In Público de 26/1/08


A política autista do Ministério da Educação

Tenho vindo a observar a contundente actividade legislativa deste governo no campo da educação. Começo pelo Estatuto do aluno do ensino não superior (Lei nº3/2008
de 18 de Janeiro). Pelo que me foi dado conhecer este documento prima pela ignorância no que se refere à situação do ensino em geral e das escolas em particular. Dos itens que nele contidos o que mais me chamou a atenção foi o que se refere às faltas. O aluno que excede um número determinado de faltas, justificadas ou injustificadas, poderá manter-se no sistema desde que responda com êxito a um exame. Procuremos concretizar um pouco esta situação. Imaginemos uma turma de cerca de 25 alunos. Haverá eventualmente 3 ou 4 alunos que faltam sistematicamente. Em determinado momento um deles regressa às aulas. O professor, que já deve ter preparado o exame sujeita o aluno à prova. Passada uma semana ou até menos tempo regressa outro aluno faltoso e novo exame será apresentado. E assim sucessivamente conforme o número de alunos a faltar. Resultados previsíveis: se o exame foi feito com cuidado e, de acord com a matéria leccionada, na maior parte dos casos o aluno irá reprovar; se o exame for facilitado o aluno poderá remotamente ter êxito. Se passar qual será a sua situação em relação à turma? uma situação de privilégio. Se reprovar de que serviu todo este trabalho extra e esta perda de tempo útil para o professor e para a turma?
A acrescentar a tudo isto deve referir-se a desvalorização da assiduidade uma das normas de conduta que, entre outras, determina o futuro êxito na profissão e na vida quotidiana.
Conclusão: Pura perda de tempo resultante da tal política autista, distanciada dos verdadeiros problemas e da participação dos agentes de educação no campo: os professores

08/01/08

O novo ano


Tudo

Tudo me é uma dança em que procuro
A posição ideal,
Seguindo o fio dum sonhar obscuro
Em que do bem às vezes nasce o mal.


À minha volta sinto naufragar
Tantos gestos perdidos
Mas a alma, dispersa nos sentidos
Sobe os degraus do ar…

Sophia de Mello Breyner Andresen

18/12/07

Natal-faltam oito dias


NATAL À BEIRA-RIO


É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurrecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...
Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?


David Mourão-Ferreira, Obra Poética 1948-1988
Lisboa, Editorial Presença, 1988

02/12/07

A cozinha dos ganhões



Neste domingo nevoento de princípio de Inverno nada melhor do que um almoço alentejano. E que bem que os ganhões comiam.

30/11/07

Efeméride - 30-11-1807

Passam hoje duzentos anos sobre o início das invasões francesas em Portugal.

22/11/07

Reflexões




“Não pode acontecer-me mal sou nova
e apenas as pessoas muito idosas se transformam em retratos e somem da memória.”(*)


Não acontece só às pessoas muito idosas às”pouco idosas” também.
(*)ANTUNES, António Lobo in O meu nome é legião (pag.86)

21/11/07

Poesia da semana


AH, quanta vez, na hora suave
Em que me esqueço,
Vejo passar um vôo de ave
E me entristeço!

Por que é ligeiro, leve, certo
No ar de amavio?
Por que vai sob o céu aber
Sem um desvio?

Por que ter asas simboliza
A liberdade
Que a vida nega e a alma precisa?
Sei que me invade
Um horror de me ter que cobre
Como uma cheia
Meu coração, e entorna sobre
Minh'alma alheia Um desejo, não de ser ave,
Mas de poder
Ter não sei quê do vôo suave
Dentro em meu ser.


Fernando Pessoa

13/11/07

Notas de viagem-1



Na impossibilidade de escrever sobre a viagem à Alemanha ao mesmo tempo que ela decorria vou agora fazê-lo. Não sei ainda muito em como sairá. Deverei obedecer a um plano pré-definido? Existirá mesmo um plano ou irei simplesmente escrevendo ao sabor das recordações e dos estados de alma? A seu tempo se verá.

08/10/07

Os voos da imaginação



Um dia destes quando estava no café vi aproximar-se um casal jovem. Ela estava grávida (de pouco tempo), ele conduzia um carinho de bebé. De bebé não havia sinal, a não ser daquele que ainda se encontrava na barriga da mãe. Soltei a minha imaginação e comecei a questionar-me. Para que seria o carrinho? Será que existia uma outra criança, já nascida? Onde estaria? Teria sido deixada no hotel ,quiçá sozinha a dormir ( não seria a primeira nem provavelmente a última)? Ou seria apenas uma forma de os pais se habituarem aos seus futuros passeios após o nascimento do rebento? Poderia ainda imaginar outras situações mas parei por aqui e voltei a mergulhar na leitura dos jornais. Talvez mais tarde voltasse a este tema.
Entretanto o casal, que tinha entrado no café, saiu e rumou em direcção à praia. Quando olhei novamente é que vi que uma mulher, com uma criança ao colo se aproximava de ambos e que a futura (afinal) actual mãe a segurou nos braços fazendo-lhe festas e levando-a consigo.
Senti-me defraudada, a possibilidade de uma história mais imaginativa desvanecia-se. Estava simplesmente perante uma rotineira ida à praia de um casal com um filho e à espera de outro.

23/09/07

Emigração



Boa Sorte




O cordão umbilical vai esticando cada vez mais… mas não parte.




14/09/07

A abertura do ano lectivo


Carlos Fiolhais no artigo“ Regresso às aulas” in Público de 14/09/07 diz:


“Não é com exames mais fáceis ou sem exames. Nem com currículos pejados de “eduques”. E muito menos quadros interactivos. É com o apoio aos professores e com o apoio dos professores. O maior erro do Ministério da Educação foi ter hostilizado os professores, que são a pedra angular de qualquer sistema educativo.”



Elementar …meus caros Sócrates e Maria de Lurdes…

O sublinhado e o comentário são meus.